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EX-QUADROS DA INTELIGÊNCIA MILITAR ABANDONADOS E SISTEMA SOB RISCO DE COLAPSO

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EX-QUADROS DA INTELIGÊNCIA MILITAR ABANDONADOS E SISTEMA SOB RISCO DE COLAPSO

A situação actual dos quadros de inteligência militar reformados exige uma reflexão profunda e uma intervenção urgente ao mais alto nível. Não se trata apenas de uma questão administrativa, mas de um problema estratégico que toca diretamente a segurança do Estado, a estabilidade institucional e a preservação de um capital humano construído com elevado custo ao longo de décadas.  


Estes quadros, muitos oriundos das Ex-FALAS e das FAPLAS, foram recrutados no âmbito de um esforço estruturado do antigo Serviço de Inteligência Militar (SIM), sob liderança de Sua Excelência o General Zé Maria, com o propósito de consolidar a inteligência nacional num período sensível da nossa história. São homens preparados, testados e colocados ao serviço do Estado com elevado sentido de missão, disciplina e lealdade. Contudo, atualmente encontram-se afastados, sem qualquer enquadramento legal que permita o seu aproveitamento em áreas como formação, assessoria estratégica e observação especializada.  


A ausência de um quadro jurídico que regule a sua reintegração constitui uma falha grave, que está a conduzir à desvalorização destes profissionais, com consequências já visíveis. Muitos dos provenientes das Ex-FALAS têm encontrado espaço de integração e militância na UNITA, onde a sua experiência continua a ser aproveitada. Por outro lado, os oriundos das FAPLAS, apesar da sua lealdade histórica e vasta experiência, não encontram a mesma abertura no MPLA, permanecendo numa situação de marginalização que não dignifica o seu percurso nem serve os interesses do Estado.  

Importa sublinhar que muitos destes ex-FAPLAS possuem sólida experiência administrativa e operacional, adquirida em contextos exigentes, com capacidade comprovada para dirigir, organizar e estabilizar estruturas em zonas complexas do país. Em contraste, alguns quadros mais jovens, nomeadamente ligados à JMPLA, nem sempre demonstram disponibilidade para assumir responsabilidades em localidades desafiantes como o Nekuto, Cazombo e outras regiões, onde a experiência, a resiliência e o conhecimento do terreno são determinantes. Ignorar este potencial representa o desperdício de um recurso estratégico já existente.  

O investimento realizado ao longo de anos, com destaque para o período do Presidente José Eduardo dos Santos, está a perder-se progressivamente, não por incapacidade destes quadros, mas por ausência de políticas que assegurem a sua valorização e continuidade funcional. As atuais reestruturações, em vez de fortalecerem o sistema, acabam por enfraquecê-lo ao retirar-lhe experiência, memória institucional e coesão.  


Excelência, importa ainda referir, em plano distinto, os recentes acontecimentos envolvendo oficiais da DPPQ e da DPQ, alvo de detenções e investigações relacionadas com o alegado desvio de fundos destinados a apoios específicos, incluindo pagamentos a trabalhadoras domésticas de oficiais superiores. Tudo indica que tais ações tiveram origem em mecanismos de controlo do Ministério das Finanças, o que evidencia fragilidades nos sistemas internos de fiscalização e integridade.
Embora este caso seja independente da problemática dos quadros reformados, revela um padrão preocupante de vulnerabilidade institucional, onde a ausência de controlo eficaz e a tolerância a práticas desviantes comprometem a credibilidade das estruturas e fragilizam a autoridade do Estado.
Face a este cenário, impõe-se uma decisão estratégica: ou se cria, com urgência, um enquadramento legal que permita a reintegração e valorização dos quadros de inteligência militar reformados — especialmente aqueles oriundos das FAPLAS, que continuam disponíveis para servir o país com competência e lealdade —, ou continuará a assistir-se à perda silenciosa de um ativo fundamental, enquanto outros espaços aproveitam aquilo que o Estado opta por não valorizar.
A história demonstra que a força de um Estado reside, em grande medida, na forma como preserva e valoriza os seus melhores quadros. Ignorar este princípio poderá ter custos que, quando se tornarem visíveis, serão difíceis de reverter.
Administrador Agita

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