Fonte: Agita News Oficial
Quadros seniores do Comité Central do MPLA e membros da estrutura provincial de Luanda manifestam descontentamento com o não enquadramento de Jesuíno Manuel da Silva, nas decisões políticas do partido, do antigo Segundo Secretário do Comité Provincial de Luanda, que durante vários anos desempenhou funções de relevo na estrutura partidária da província.
Jesuíno Manuel da Silva segundou a dupla que durante muito tempo fez furor na capital na época em que exerceu o cargo de Segundo Secretário do Comité Provincial de Luanda durante a liderança do famigerado político Bento Francisco Sebastião Bento, conhecido nas lides de “Bento Bento”, e tendo-se mantido em funções na transição do mandato do então Primeiro Secretário Provincial, Francisco Higino Lopes Carneiro.
Apesar da experiência acumulada e do percurso político e profissional, Jesuíno Manuel da Silva continua a exercer funções de assessor do Governador de Luanda, cargo que ocupa desde o mandato do antigo Governador Manuel da Conceição Homem até à atualidade.
É precisamente esta situação que, segundo informações recolhidas junto de membros da estrutura partidária, tem gerado insatisfação. Para estes sectores, depois de ter desempenhado durante anos funções de grande responsabilidade na estrutura provincial do MPLA, Jesuíno Silva deveria ocupar um cargo compatível com a experiência, a formação e a responsabilidade que acumulou ao longo da sua trajetória.
Outro aspeto apontado por fontes próximas da estrutura partidária é a formação académica de Jesuíno Manuel da Silva, que de acordo com as informações disponíveis, licenciou-se na Rússia em Gestão Aeronáutica, área que, na perspetiva dos seus apoiantes, poderia ser melhor aproveitada numa instituição pública ou privada ligada ao sector, ou ainda numa função de administração e gestão.
Entre as possibilidades defendidas por alguns sectores está o seu aproveitamento para o cargo de Presidente do Conselho de Administração de uma instituição, ou para uma função de administrador numa empresa pública ou privada, onde pudesse colocar a sua experiência política, administrativa e formação académica ao serviço da instituição.
O debate, contudo, vai além da questão de uma eventual nomeação. Para alguns quadros, trata-se também de discutir a forma como o partido valoriza os seus quadros com experiência e percurso comprovado, sobretudo aqueles que durante anos assumiram responsabilidades de destaque na estrutura política provincial.
A permanência de Jesuíno Silva como assessor do Governador de Luanda é, assim, vista por alguns membros da estrutura como uma situação que poderia ser repensada, tendo em conta o seu percurso e as competências que lhe são reconhecidas.
Sem colocar em causa a importância da função de assessor, os sectores que defendem uma nova missão consideram que o seu perfil poderia ser enquadrado numa posição de maior responsabilidade e visibilidade, onde pudesse contribuir de forma mais direta para a gestão de uma instituição ou para a execução de políticas públicas.
A expectativa de alguns quadros é que o seu percurso seja devidamente considerado em futuras decisões de nomeação e enquadramento, permitindo que a experiência acumulada ao longo dos anos seja colocada ao serviço de novas responsabilidades.
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