Segundo relatos, o director tem humilhado membros do conselho da cadeia, desrespeitado os seus directores adjuntos e ultrapassado as competências do director provincial. Em diversas ocasiões, afirma, em tom considerado intimidatório, ser filho do atual diretor-geral do Serviço Penitenciário, insinuando protecção e influência direta na estrutura superior.
Apontado como homem de confiança de Bernardo Pereira do Amaral Gourgel, actual director-geral do Serviço Penitenciário de Angola, Gerson Bebiano é alvo de fortes críticas por parte dos efectivos, que o acusam de manter uma postura autoritária e desrespeitosa. Durante formações, terá dirigido insultos aos subordinados, chamando-os de “matumbos” e outros termos depreciativos, chegando a afirmar que poderia, em menos de 24 horas, solicitar a retirada de patentes de colegas através de contactos pessoais.
O ambiente interno da cadeia é descrito como degradante, com impacto direto na disciplina. Há denúncias de que reclusos passaram a desrespeitar os agentes, influenciados pela postura do próprio diretor, que frequentemente repreende efectivos na presença de indivíduos em conflito com a lei.
Além disso, efectivos acusam o diretor de ter criado uma rede de informantes entre os reclusos com o objetivo de descredibilizar os agentes penitenciários, alegando que estes facilitam a entrada de meios proibidos.
No que diz respeito à sua ascensão profissional, surgem questionamentos sobre a sua progressão na carreira. Há alegações de que, em 2014, terá estado envolvido, juntamente com outros efectivos, na falsificação de documentos do ensino superior para efeitos de promoção à categoria de oficial. Segundo as denúncias, vários envolvidos foram penalizados com exoneração e despromoção, enquanto Gerson Bebiano teria escapado às sanções por alegadamente denunciar os restantes.
Os efectivos questionam ainda a sua formação académica e os critérios que permitiram a sua promoção, numa altura em que se exigia qualificação como técnico superior — requisito que, segundo afirmam, não reunia.
Outro ponto de crítica prende-se com a violação dos princípios hierárquicos. O diretor é acusado de contornar o diretor provincial, comunicando diretamente com o diretor-geral, desrespeitando a cadeia de comando e enfraquecendo a autoridade local.
Fontes internas indicam que o próprio diretor provincial enfrenta dificuldades para intervir, devido à alegada influência e proteção de que Gerson Bebiano beneficia.
O nome do diretor surge ainda associado, segundo denúncias, a suspeitas relacionadas com a exoneração do antigo comissário Culeca, ex-diretor provincial do Bengo, cuja morte é atribuída a desgosto após afastamento do cargo — situação em que Bebiano é apontado como um dos articuladores.
Há também referências a comportamentos inadequados, incluindo alegado consumo excessivo de bebidas alcoólicas, facto que, segundo os efectivos, é de conhecimento generalizado dentro da corporação.
Perante o crescente descontentamento, membros do conselho da unidade e efectivos apelam à intervenção urgente do delegado provincial de Icolo e Bengo ou de instâncias superiores, afirmando não depositar confiança na direção-geral para resolver a situação.
Os agentes alertam que, caso não haja medidas, o cenário poderá agravar-se, tendo em conta o nível de insatisfação e as constantes humilhações.
A gestão baseada na intimidação, arrogância e ausência de liderança eficaz representa um sério risco para uma instituição cuja missão é a reeducação e reintegração social de cidadãos em conflito com a lei.
