Fonte: Agita News Oficial
O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, criticou duramente o investimento de 316,8 milhões de dólares (271,5 milhões de euros) realizado pelo Governo angolano na construção do Centro de Convenções da Chicala, inaugurado na segunda-feira pelo Presidente da República, João Lourenço.
Para o líder do maior partido da oposição, o valor gasto na construção da nova infraestrutura levanta sérias questões sobre as prioridades do Executivo num país que continua a enfrentar dificuldades económicas e sociais.
A inauguração do Centro de Convenções da Chicala, com o seu custo astronómico de 316,8 milhões de dólares, não é apenas mais uma obra pública. É a prova viva de que o Executivo não conhece Angola. Não conhece a fome que aperta, não conhece o desemprego que sufoca, não conhece a ânsia de um povo que quer trabalhar, produzir e viver com dignidade, afirmou Adalberto Costa Júnior.
O dirigente da UNITA defendeu que os recursos públicos deveriam ser canalizados prioritariamente para sectores com impacto directo na vida das populações, nomeadamente educação, saúde, estradas, energia, formação profissional e tecnológica, bem como para o apoio às empresas e aos empreendedores nacionais.
Segundo Costa Júnior, “um país não se desenvolve com palácios vazios, mas com fábricas a funcionar, campos a produzir e empresas a gerar riqueza”.
Construído numa zona da capital angolana onde, há apenas três anos, existia mar, o Centro de Convenções da Chicala foi apresentado pelo Presidente João Lourenço como uma infraestrutura estratégica para o turismo de negócios e para a realização de grandes eventos nacionais e internacionais.
O Executivo considera que a obra permitirá a Angola acolher eventos de grande dimensão em melhores condições, reduzindo a dependência de hotéis e estruturas provisórias, como tendas.
Contudo, o elevado custo da infraestrutura reacende o debate sobre como são definidas as prioridades na aplicação dos recursos públicos.
Num país onde persistem desafios relacionados com o desemprego, a pobreza, a qualidade dos serviços de saúde, o acesso à educação, as infraestruturas rodoviárias e o fornecimento de energia e água, o investimento de centenas de milhões de dólares numa única obra promete continuar a gerar controvérsia.
A questão que fica para o Executivo é directa: num país com tantas necessidades urgentes, era este o momento e esta a prioridade para investir 316,8 milhões de dólares?
O debate está lançado e caberá ao Governo explicar aos cidadãos angolanos quais os benefícios económicos concretos que esta obra deverá gerar e em quanto tempo o investimento poderá ser recuperado.
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